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Quando
os franceses chegaram à atual cidade de Alcântara,
encontraram uma aldeia tupinambá chamada de Tapuitapera
(antiga aldeia dos Tapuias, rivais que haviam sido expulsos
pelos Tupis). Com a retomada da região pelos
portugueses, os índios perderam a proteção
oferecida pelos franceses e se tornaram vítimas
constantes de violências. Assassinatos, comércio,
escravidão e até um surto de varíola,
em 1663, que fez dos nativos as suas maiores vítimas,
são os principais motivos do desaparecimento
dos índios da região.
A cidade tornou-se importante ponto de ligação
por vias fluviais entre São Luís e Belém
e serviu de base para os portugueses na expulsão
dos holandeses em São Luís. Logo depois,
em 1648, foi elevada a vila de Santo Antônio de
Alcântara (esta palavra, de origem árabe,
significa A Ponte e remete a uma antiga ponte romana
de um sítio nos arredores de Lisboa, cidade de
origem do donatário da capitania de Cumã,
Antônio Coelho Carvalho). Segundo levantamentos,
cerca de 8.000 pessoas circulavam por Alcântara
nas épocas de maior movimento, número
surpreendente já que sua população
se dispersava pelo interior. Na sede foram construídos
o pelourinho, a Câmara e igreja. A parte alta
da cidade foi reservada para a burocracia, igrejas e
casas dos senhores, ficando o comécio mais próximo
ao porto.
A
economia da vila se baseava na plantação
e engenhos de cana, cuja produção era
levada de barco até São Luís, onde
se concentravam o comércio e os serviços.
Embora a vila já se firmasse como local preferido
para residência dos senhores da região,
sua atividade produtora era ainda pequena e desorganizada.
Em 1682, com a fundação da Companhia de
Comércio do Maranhão, a vila começa
a estruturar suas fazendas, que atingiriam o auge a
partir de 1755, data da criação da Companhia
de Geral de Comércio do Grão-Pará
e Maranhão. Arroz, açúcar, gado
e algodão - este exportado para o mercado inglês
em plena Revolução Industrial - eram os
principais produtos da região.
Nem
epidemias de varíola, em 1799 e cólera,
dois anos depois, impediram o súbito crescimento
da vila. Dez mil escravos chegaram a trabalhar nas fazendas
no auge do período exportador. Números
de 1856 indicam a existência de 81 fazendas de
cereais, 22 engenhos de açúcar, 24 fazendas
de gado e mais de 100 salinas na cidade.
Tanta
prosperidade econômica criou uma verdadeira aristocracia
em Alcântara. As famílias abastadas pautavam-se
pelas últimas modas inglesas e francesas, importando
produtos e costumes. Uma visita do imperador D. Pedro
II, que acabou nunca aparecendo, tornou-se motivo de
disputa entre duas poderosas famílias da cidade.
Os filhos dos senhores e barões iam estudar na
Europa, formando uma elite intelectual que gerou governadores
da província do Maranhão e representantes
na Câmara e Senado do Império.
A
educação em Alcântara ficava com
os padres mercedários e jesuítas. De calça
de casemira e saias de balões, as famílias
iam a São Luís desfrutar o intenso circuito
cultural da cidade, em especial as peças no teatro
União, futuro teatro Arthur Azevedo. Em suas
casas, organizavam festas dançantes e saraus.
Muitas
são as causas apontadas para o declínio
econômico em que Alcântara mergulhou no
final do séc. XIX, para nunca mais se recuperar:
abolição da escravatura, evolução
de técnicas agrícolas, exploração
excessiva do solo, recuperação do cultivo
de algodão nos EUA após a Guerra de Secessão,
fim da Companhia Geral de Comércio, lutas pela
Indepêndencia do Brasil, maior facilidade no transporte
da produção de outras áreas do
país. Em 1896 a população se reduz
a 4.000 habitantes, a Igreja Matriz está fechada
e as plantações de algodão quase
não existem mais.
As áreas das fazendas foram ocupadas pelos ex-escravos,
que deram origem a muitos povoados ainda hoje existentes.
O patrimônio histórico da cidade sofreu
inúmeras baixas, desde o roubo de peças
das casas por colecionares e moradores até confisco
de peças da igreja pelo governo federal em 1889.
Estes saques, aliados a um total descaso pelas construções,
significaram a decadência definitiva para a memória
de Alcântara.
O
conjunto de sobrados que sobreviveram ao descaso e
ao tempo, alguns com paredes de pedra e cal e ainda
com
fachadas revestidas por azulejos portugueses, foram
tombadas pelo Iphan em 1948 como Patrimônio Nacional.
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