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ALVARENGA PEIXOTO
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Alvarenga Peixoto produziu pequena obra, ambientada na realidade mineira e caracterizada pelo sentimento nativista. Em seus poemas laudatórios (de louvação) é possível perceber uma postura crítica em relação à sociedade. Entre os autores árcades, foi o mais envolvido na Inconfidência Mineira.

Nasceu no Rio de Janeiro em 1744 ou 1748. Estudou no Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro e depois na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde conviveu com Basílio da Gama, que se tornaria um grande amigo.

Em 1776 tomou posse no Senado de São João del-Rei, cidade próspera e evoluída, com vida cultural bastante rica. Ali, exerceu as funções de ouvidor da Comarca do Rio das Mortes. Dedicou-se à agricultura e à mineração, aplicando em suas lavras as mais recentes técnicas de exploração. Seu caráter entusiasta e generoso, mas ambicioso e perdulário, conquistou amigos, inimigos e, sobretudo, muitas dívidas.

Alvarenga Peixoto viveu as contradições de seu tempo, comuns aos demais intelectuais da época. Amigo dos governadores e dos poderosos, partilhava ao mesmo tempo das idéias libertárias difundidas pelo Iluminismo. Pressionado pelas dívidas e pelos pesados impostos, acabou envolvendo-se na Inconfidência Mineira, tendo nela papel destacado.

Uma outra vertente da poesia de Alvarenga Peixoto é a de temática amorosa. A imagem de mulher ideal construída sob os moldes do Iluminismo aliava a inteligência e a sensibilidade à beleza. Em São João del-Rei, Alvarenga Peixoto encontra em Bárbara Eliodora os atributos correspondentes a esse perfil e se apaixona pela jovem de 18 anos, que passa a ter grande ascendência sobre o poeta. De seus amores nada convencionais nasceu uma filha, Maria Efigênia. Pode-se imaginar o escândalo que envolveu o fato, uma vez que não houve por parte do ouvidor nem do pai da noiva o mínimo empenho em legitimar a união, que só aconteceu dois anos após o nascimento da criança, provavelmente por interferência do bispo de Mariana.

Amigo de Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, freqüentou Vila Rica. Denunciado como participante da Inconfidência Mineira, foi deportado para Angola, onde faleceu em 1793.

A D. BÁRBARA HELIODORA

Bárbara bela, Do Norte estrela,
Que o meu destino Sabes guiar,
De ti ausente Triste somente
As horas passo A suspirar.

Por entre as penhas De incultas brenhas
Cansa-me a vista De te buscar;
Porém não vejo Mais que o desejo,
Sem esperança De te encontrar.

Eu bem queria A noite e o dia
Sempre contigo Poder passar;
Mas orgulhosa Sorte invejosa,
Desta fortuna Me quer privar.

Tu, entre os braços, Ternos abraços
Da filha amada Podes gozar;
Priva-me a estrela De ti e dela,
Busca dous modos De me matar!

(Poema dedicado à sua esposa, remetido do cárcere da Ilha das Cobras.)

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