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BÁRBARA ELIODORA, MUSA E MITO
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Mulher culta, independente e aristocrática, Bárbara Eliodora reafirmava seus valores na educação esmerada que dava à filha, para quem contratava os melhores mestres da vila. É possível que também fizesse versos e, nesse caso, seria uma das primeiras poetisas do Brasil.

Diferente de Marília, a musa de Tomás Antônio Gonzaga, Bárbara foi uma mulher extremamente moderna e participante e compartilhava com o marido não apenas a vida doméstica, mas também a intelectual e a política. É conhecida sua atuação nos acontecimentos da Inconfidência Mineira. De caráter mais firme que Alvarenga, ela o impede de vacilar quando se sente tentado a delatar seus companheiros. A senha dos conjurados,’Tal dia é o batizado’, surgiu de um acontecimento ligado à intimidade do casal: o batizado do filho João Damasceno, que foi oficiado pelo inconfidente padre Toledo na Matriz de Santo Antônio, em São José del-Rei, e teve Gonzaga como padrinho.

Após a denúncia de Joaquim Silvério dos Reis e a prisão de Alvarenga, Bárbara Eliodora toma frente dos negócios da família e enfrenta com a mesma altivez dos tempos venturosos o vexame público e as dívidas deixadas pelo marido. Mas o excesso de sofrimento acarretado pela prisão, exílio em Angola e morte de Alvarenga em 1793, a que se segue a morte da filha Maria Efigênia, compromete sua integridade mental. A última imagem de Bárbara Eliodora oferecida pela tradição é a de uma velha louca, perdida em delírio, percorrendo as ruas de São Gonçalo do Sapucaí, para onde se mudara.

Assim, Bárbara Eliodora sai da vida para entrar no mito. Seu nome se perpetua nos textos da nossa história investida do papel de heroína. No Romanceiro da Inconfidência, Cecília Meireles revive essa figura legendária.

Eliana Muzzi

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