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BASÍLIO DA GAMA
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Um dos maiores nomes da literatura brasileira setecentista foi o do mineiro Basílio da Gama. Nascido em 1741 na Vila de São José del-Rei, hoje Tiradentes, ainda muito jovem foi estudar no Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro, ingressando anos depois como noviço na Companhia de Jesus.

Após a expulsão dos jesuítas das terras portuguesas, Basílio da Gama permaneceu algum tempo no Rio de Janeiro, indo reunir-se a eles posteriormente em Roma. Aí o noviço encontrou ambiente ideal para desenvolver seu talento literário, sendo recebido em 1763 na Arcádia Romana, sob o nome pastoril de Termindo Sipílio.

Desentendeu-se com os jesuítas e voltou para o Brasil, onde foi denunciado, preso e enviado a Lisboa. Mas livrou-se do degredo com versos dedicados à filha do Marquês de Pombal, conseguindo com isso aproximar-se do ministro e tornar-se funcionário de sua secretaria.

É nesta época que compõe sua obra mais conhecida, ‘O Uraguay’. Publicado em 1769, o poema narra o ataque de portugueses e espanhóis aos índios dos Sete Povos das Missões, catequizados e escravizados pelos jesuítas. A catequese é apresentada como uma forma de escravidão física e moral imposta pelos jesuítas, que são duramente atacados, enquanto os índios e as autoridades portuguesas são apresentados como personagens heróicas, imbuídas de valores iluministas.

Construído em cinco cantos sobre o modelo épico, o poema tem estilo leve e rápido e seduz o leitor pelo ritmo, cor e movimento, que dinamizam a narrativa. Além da rara qualidade do estilo, ‘O Uraguay’ assinala o momento em que pela primeira vez se manifesta, na literatura, uma visão de mundo peculiar ao colono brasileiro, seja na consciência dos desastres da colonização ou na valorização poética de uma pátria inculta e bárbara.

Um dos versos de ‘O Uraguay’ faz referência a obra de Alvarenga Peixoto, outro importante poeta do período colonial, cuja amizada com Basílio da Gama, cultivada pela estreita convivência em Portugal, é atestada repetidas vezes na obra de ambos. O verso de Alvarenga ‘Por mais que os alvos cornos curve a Lua’, na época bastante criticado e combatido por seus opositores, foi retomado por Basílio numa implícita defesa da ousada imagem do poeta amigo: ‘Duas vezes a Lua prateda / Curvou no Céu sereno os alvos cornos’. Alvarenga por sua vez dedicou um soneto à obra do colega.

Esse diálogo entre os dois poetas manifesta-se ainda no rumo de suas vidas pessoais. Se o mineiro de São José del-Rei se transfere definitivamente para a metrópole, o carioca Alvarenga Peixoto é nomeado ouvidor na Comarca do Rio das Mortes, ao retornar de Portugal com seu diploma de doutor em Leis. É bem possível que essa indicação tenha resultado da influência de Basílio junto ao Marquês de Pombal, que o tomara como seu protegido. Curiosamente, Alvarenga Peixoto ocupa o lugar do amigo e vive o destino que possivelmente teria sido o seu.

Eliana Muzzi

Um comentário sobre “Basílio da Gama

  1. Infelizmente, ainda não existe uma tradução de poesia Basilio da Gama sobre o idioma russo. Vou tentar preencher esta lacuna. Começou a traduzir o poema “O Uraguai” em russo.

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