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BIOGRAFIA DE COMPOSITORES E TRECHOS DE MÚSICAS
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Lobo de Mesquita

Antífonas de Santa Senhora

José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita é considerado o mais expressivo compositor setecentista de Minas Gerais. Além de compor, trabalhou como regente e organista da Ordem Terceira do Carmo em Vila Rica, de 1787 a 1795.

De sua obra são conhecidas cerca de 65 composições, entre missas, ladainhas, antífonas, árias, motetes, ofertórios, novenas e peças para a Semana Santa, que revelam sua genialidade artística. Entre as mais significativas estão Antífonas da Santa Senhora (Regina caeli laetare e Ave Regina caelorum) e Salve Regina (1787), Missa em Fá (1780) e Missa em Mi Bemol (1782), Dominica in Palmis (1782), um dos raros originais do compositor e o motete Tercio (1783), considerada a mais antiga partitura de um compositor brasileiro.

Nasceu no Serro em 1746 e faleceu no Rio de Janeiro em 1805. Estudou música em sua cidade natal com o padre Manuel da Costa Dantas. Durante vinte anos atuou como músico em Diamantina, tendo sido regente e organista da Matriz de Santo Antônio e da Ordem Terceira do Carmo. Em 1798 transferiu-se para Vila Rica, atual Ouro Preto e mais tarde para o Rio de Janeiro. Nas duas cidades, foi também regente e organista da Ordem Terceira do Carmo.

Manoel Dias de Oliveira

Missa

Magnificat

Regente e organista, dedicou-se à música desde 1769 em irmandades religiosas de São José del-Rei, atual Tiradentes. Sua obra revela um compositor dos mais significativos do período, capaz de criar composições de variada expressividade, das mais despojadas às de grande exuberância musical. Embora tenha sempre trabalhado em sua cidade natal e em algumas cidades vizinhas, como São João del-Rei, Prados e Congonhas, suas obras foram copiadas e divulgadas em outros centros, inclusive Vila Rica, atual Ouro Preto. Entre elas estão Passio e Bradados de Domingo de Ramos, Missa, Visitação de Nossa Senhora das Dores, conjuntos de motetos – Pater mi, Bajulans, Exeamus, O vos omneas, Angariaverunt, Filiae Jerusalem, Popule Meus e Domine Jesu -, Miserere, Sábado Santo de Manhã, Magnificat e Te Deum.

Nasceu em São José del-Rei, atual Tiradentes, por volta de 1745. Além de regente e organista, foi calígrafo e trabalhou como copista nas irmandades de Nossa Senhora das Mercês dos Pretos de São José e de Nossa Senhora da Boa Morte de Barbacena. Em 1772 obteve a patente de Capitão dos Terços Auxiliares. Faleceu em sua cidade natal em 1813.

Ignácio Parreiras Neves

Credo

Foi compositor, cantor e regente, trabalhando nessa função principalmente para o Senado da Câmara e para as irmandades de São José dos Homens Pardos e de Nossa Senhora das Mercês e Perdões. Parte considerável de sua produção musical está perdida. Do que restou, destacam-se Credo, Ladainha e Oratória ao Menino Deus para a Noite de Natal (1789), considerado o único auto de natal em língua portuguesa. Parreiras Neves nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, em 1730, onde faleceu entre 1792 e 1794.

Francisco Gomes da Rocha

Novena de Nossa Senhora do Pilar

Compôs em 1789 a Novena de Nossa Senhora do Pilar (a quatro vozes, violinos, viola, trompas e baixo), em homenagem à padroeira de Ouro Preto. Além de compositor, foi cantor, fagotista e timbaleiro. Sucedeu o amigo Lobo de Mesquita no cargo de regente e organista da Ordem Terceira do Carmo, quando este se transferiu para o Rio de Janeiro. Das poucas obras conhecidas, destacam-se ainda Spiritus Domini e Invitatorio. Pertenceu às irmandades da Boa Morte de Nossa Senhora da Conceição e de São José dos Homens Pardos e à Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula, nas quais ocupou importantes cargos. Gomes da Rocha nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, supostamente em 1746 e ali faleceu em 1808.

Jerônimo de Souza Lobo

Duas Antífonas de Nossa Senhora

Além de violinista, flautista e rabequista, foi organista da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. Entre as músicas de sua autoria estão Novena de Nossa Senhora do Carmo, ofícios de Quarta-Feira Santa, Quinta- Feira Santa e Sexta-Feira Santa, Duas Antífonas de Nossa Senhora (Salve Regina e Vide Domine) e Antífona do Santíssimo Sacramento. Souza Lobo nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto. As datas de seu nascimento e morte são desconhecidas, embora se saiba que atuou de forma marcante entre 1780 e 1810 em sua cidade natal.

Marcos Coelho Netto (filho)

Maria Matter Gratiae

Marcos Coelho Netto é curiosamente nome de pai e filho. O pai foi trompista, clarinista, timbaleiro e regente. Não se sabe com certeza se foi também compositor. Nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto, em 1746 e faleceu na mesma cidade em 1806.

Marcos Coelho Netto (filho), além de compositor, era regente, trompista, clarinista, trompetista e trombetista. Exerceu suas atividades musicais em Vila Rica no Senado da Câmara, na Casa da Ópera e também no Primeiro Regimento de Milícias. Trabalhou sempre ao lado do pai. Entre suas composições, são conhecidas o hino Maria Mater Gratiae (1787), a antífona Salve Regina (1790) e os Responsórios de Santo Antônio (1799). Nasceu em Vila Rica em 1763, onde faleceu em 1823.

Pe. João de Deus de Castro Lobo

Tantum Ergo

Seu estilo classicista o distingue dos demais compositores mineiros do século XVIII. Trabalhou como organista da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em Mariana. De sua obra são conhecidas, entre outras, as músicas Tantum Ergo, Credo em Fá, antífonas Ego sum-Beata es Virgo-Ornatam monilubus, Matinas do Espírito Santo e Novena de São Francisco de Assis.

Nasceu em Vila Rica em 1794. Estudou contraponto no Seminário de Ribeirão do Carmo (atual Mariana), foi padre da Igreja de São Pedro e mestre-de-capela da Igreja de Nossa Senhora da Sé, na mesma vila. Faleceu em Ribeirão do Carmo em 1832.

Antônio dos Santos Cunha

Maria Mater Gracie

Quase nada se sabe sobre este compositor, que pertenceu à Irmandade de Nosso Senhor dos Passos e à Ordem Terceira do Carmo. Possivelmente, ele não seria mulato ou negro, pois estas instituições religiosas congregavam apenas homens brancos. Em 1815 seu nome aparece no livro de anuidades desta ordem com a indicação de “ausente pª Lisboa”. O que restou de sua obra não é muito, mas representa um dos pontos culminantes da criação musical mineira, conhecendo-se Missa Grande, Missa e Credo a 5 Vozes, Ofícios de Quarta, Quinta e Sexta-Feira Santa e Novena de Nossa Senhora da Boa Morte. Além de suas missas, alguns dos Responsórios da Semana Santa são executados atualmente com texto adaptado para as partes variáveis.

Presciliano Silva

O Vos Omni

Descendente pelo lado materno do compositor Lourenço José Fernandes Braziel, dedicou-se desde muito cedo à música. Foi discípulo de Martiniano Ribeiro Bastos e graduou-se no Real Conservatório de Música de Milão, na Itália. Retornando ao Brasil, fixou residência em Campinas, em São Paulo, onde lecionava na Escola Normal. Dedicou-se, ainda, ao ensino da música em diversas cidades fluminenses, entre as quais Friburgo. De sua obra, destacam-se Veni Sancte Spíritus e Dómine ad adjuvandum, compostas ainda na sua juventude, Missa opus 17, Memento e a antífona O vos omnes. O compositor nasceu em São João del-Rei em 1854 e faleceu em 1910.

Martiniano Ribeiro Bastos

O Vos Omni

Foi compositor, regente e violinista. Discípulo de Francisco José das Chagas, sucedeu-o na direção do conjunto musical que atuava na Igreja de São Francisco de Assis em 1859, permanecendo à frente da corporação, que tomaria seu nome, até 1912. Foi vereador, juiz de paz e presidente da Câmara Municipal, além de ter sido professor e diretor da Escola Normal de São João del-Rei. Dentre suas obras, destacam-se a coleção de Motetos de Passos, tocados, ainda hoje, durante a Quaresma e a Semana Santa. Foi responsável pela formação de inúmeros músicos, que se destacaram na região, entre eles João Evangelista Pequeno, Jacinto Augusto de Almeida, Carlos dos Passos de Andrade, os irmãos Firmino e Presciliano Silva e o afamado violinista Jafé Maria da Conceição. Ribeiro Bastos nasceu em São João del-Rei em 1834, falecendo em 1912 na mesma cidade.

Joaquim de Paula Souza “Bonsucesso”

Laudemos Virum Gloriosum

Foi compositor, regente e violinista. Nasceu no Arraial de Nossa Senhora da Conceição dos Prados e foi o principal responsável pela estruturação da vida musical do arraial, deixando cópias de muitas obras de autores setecentistas, como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita e Manoel Dias de Oliveira. Foi vereador no Senado da Câmara da Vila de São José del-Rei, na época em que Prados pertencia à esta vila. De sua excelente obra, são conhecidas Missa e Credo em Dó Maior, Missa e Credo em Sol, Trezena de Santo Antônio, Responsórios para Encomendação e o Terceto ao Pregado Veni Sancte Spíritus. Faleceu provavelmente em 1842.

Pe. José Maria Xavier

Matinas de Natal

Compositor e instrumentista, foi discípulo de seu tio Francisco de Paula Miranda com quem aprendeu canto, violino e clarineta. Estudou no Seminário de Mariana, ordenando-se padre em 1846. Designado a trabalhar em Rio Preto, retornou à sua terra natal, São João del-Rei, por motivos de saúde. Além do sacerdócio, exerceu múltiplas funções como vigário forâneo e lecionou música em várias escolas da cidade. Filiado a todas as associações religiosas, foi padre comissário da Ordem Terceira do Carmo e, também, capelão da Irmandade de Nosso Senhor dos Passos e da Confraria de Nossa

Senhora do Rosário. De sua vasta obra são conhecidas mais de cem composições, executadas, tradicionalmente, em solenidades religiosas são-joanenses, especialmente na Semana Santa, na Novena de Nossa Senhora da Boa Morte e no Natal. As peças Matinas do Natal e Missa nº 5 foram editadas em Munique, na Alemanha, fato raro na música oitocentista brasileira. O compositor nasceu em 1819 e faleceu em 1887.

Carlos Kater

Um comentário sobre “Biografia de Compositores e Trechos de Músicas

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