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ARTESANATO


Os ceramistas

Na cidade de Cunha, um dos passeios mais interessantes, sem dúvida, é a visita aos ateliês de cerâmica.

Em meados da década de 70, alguns ceramistas se radicaram em Cunha, para iniciar um trabalho com cerâmica em fornos a lenha “Noborigama” (que chega a altas temperaturas). Formados no Japão, país de longa tradição na cerâmica, Toshiyuki Ukeseki, Mieko Ukeseki, Alberto Cidraes e alguns outros pioneiros escolheram a natureza e as condições propícias de Cunha para iniciar um trabalho de cerâmica.

A cidade dispõe de bons solos produtores de argilas, necessárias à cerâmica. Tem também um clima propício, áreas onde o eucalipto reflorestado é plantado (serve de lenha para os fornos cerâmicos) e as paisagens, as curvas do horizonte e os céus, que tanto inspiram os artistas. Além de tudo isso, Cunha fica próxima do mar, a 45 km de Paraty, e próxima da serra, num local estratégico,
de fácil acesso e ao mesmo tempo ainda muito preservado.

No início dos trabalhos na cidade, este primeiro grupo recebeu algum apoio da prefeitura, que, interessada em promover o turismo e a atividade econômica na cidade, doou um antigo matadouro abandonado ao grupo, onde foi construído o primeiro forno. Os ceramistas usaram este forno coletivamente, até que cada um pode construir o seu.
Hoje em dia existem diversos fornos funcionando na cidade, cada um com características ligeiramente diferentes dos outros.

Alguns destes pioneiros dos anos 70 se foram, outros ficaram, ensinaram suas técnicas para aprendizes que continuaram a tradição. Um deles, Luiz Toledo foi aprendiz de Toshyiuki Ukeseki, um dos fundadores do grupo inicial. Toledo trouxe para a cerâmica as imagens da cultura popular, construindo bonecos, máscaras, potes e outros objetos com temas folclóricos, ligados ao imaginário cotidiano cunhense.

Mieko Ukeseki, também integrante do primeiro grupo, produz esculturas, objetos de uso e propostas diversificadas, em seu ateliê junto com Mário Konishi, que se uniu ao grupo posteriormente.
Trabalham com um forno Noborigama,
de três câmaras e lenha de eucalipto reflorestado.

Gilberto Jardineiro e Kimiko Suenaga têm seu atelier de cerâmica de alta temperatura, onde desenvolvem também objetos artísticos e utensílios cotidianos. Usam forno à lenha Noborigama, de quatro câmaras. Gilberto, historiador de formação, trabalhou como fotógrafo, assistente de direção de cinema e redator. Morou na Suécia e depois no Japão, onde se inciou na cerâmica. Iniciou seus trabalhos em Cunha em 1985.

Além destes mencionados existem diversos outros. Uma visita completa aos ceramistas de Cunha requer algo entre um dia a um dia e meio.



O ritual da Cerâmica


A cerâmica consiste na fabricação de objetos moldados em barro e aquecidos em altas temperaturas em fornos adequados. O barro perde água neste processo, e as partículas que o compõe se rearranjam, adquirindo grande dureza. Uma peça de cerâmica pode durar vários anos, e até mesmo várias décadas.

Depois de moldada, a peça é guardada por alguns dias para secar antes da primeira queima no forno. A primeira queima chega a cerca de 800º, 850º C, podendo durar em torno de um dia. O produto desta queima é chamado entre os ceramistas de “biscoito”, bem mais duro e resistente do que o barro cru, embora ainda não tenha a coloração característica das peças prontas.

A coloração e textura final será dada na segunda queima, que pode chegar a 13500 Cº e durar um dia e meio.
Nesta etapa, os biscoitos são decorados com cinzas das lenhas já queimadas, minerais, pó de cascas de arroz e outros materiais que no calor irão derreter e dar às peças o seu aspecto final. Dentro do forno, cada peça recebe temperatura porque ficam em posições diferentes em relação à fonte de calor e à presença de oxigênio na atmosfera do forno. Estes detalhes fazem com que cada peça tenha uma coloração e textura únicas, sendo difícil prever o resultado de uma fornada. Nas palavras de Gilberto Jardineiro, “o ceramista cria uma circunstância, e o fogo faz o trabalho”.
Por isso, cada abertura de fornada é uma novidade, uma descoberta de novas combinações de cores e formas, um novo encantamento com o trabalho, feito em parte pelo homem, em parte pela natureza.

É do ateliê de Gilberto também a idéia de transformar a abertura de fornada em um “happening”, com convidados, pessoas interessadas na cerâmica e visitantes do ateliê. O forno, que está esfriando a dois ou três dias, é aberto e as pessoas têm a primeira visão das peças novas, tirando-as das câmaras de queima e trocando impressões sobre o trabalho.


O forno Noborigama

Noborigama significa em japonês, algo como “forno em aclive”. São várias câmaras de queima construídas em uma inclinação,  
de forma que o calor gerado pela lenha suba das câmaras mais baixas para as mais altas.

O forno Noborigama é construído sob medida no terreno do ceramista e, mesmo os menores comportam grande quantidade de peças. As temperaturas altas requerem grande quantidade de lenha. Isso faz com que, para racionalizar o trabalho, os ceramistas façam poucas queimas por ano, mas sempre com a capacidade máxima do forno. As queimas podem durar dias. Durante este processo os fornos são monitorados pelos ceramistas que constantemente acrescentam lenha e vigiam as temperaturas.
No ateliê de Gilberto Jardineiro e Kimiko Suenaga são feitas entre três a quatro fornadas por ano.

Na segunda queima, que passa de 10000º C podendo chegar a 13500º C, é preciso muita atenção. Segundo Gilberto, depois de atingir mil graus, a temperatura avança com mais dificuldade. A partir de 1200, 1300 graus começa a ocorrer a vitrificação das peças, que adquirem uma superfície muito lisa e brilhante, freqüentemente particuladas, como um mosaico. As cinzas e materiais corantes derretem, interagindo com o ambiente interno do forno com o oxigênio presente e pintam as peças de formas singulares. Até mesmo as cinzas e respingos da lenha queimando podem afetar a aparência final de uma peça cerâmica.


Endereços dos ateliês de cerâmica

Casa do Artesão
Endereço: Rua José Antares Filho, 27
Telefone: (12) 571-1684
Funcionamento: Segunda e terça de 13h às 18h. De quarta a domingo, de 9h às 18h

Ateliê Clélia Jardineiro
Endereço: Alameda Lavapés, 550
Telefone: (12) 571-1537
Exposições nos finais de semana e feriados

Ateliê Luís Toledo

Endereço: Al. Lavapés, 550
Telefone: (12) 571-1100
Funcionamento: Aberto diariamente

Ateliê Mieko Ukeseki e Mário Konishi
Endereço: Rua Jerônimo Mariano Leite, 510 - Vila Rica
Telefone: (12) 571-1468
Home page: http://www.miekoemario.cjb.net
E-mail: miekoemario@uol.com.br
Funcionamento: Exposição permanente, com atendimento de 10h às 18h

Ateliê Suenaga & Jardineiro (S&J)
Endereço:
Rua Dr. Paulo Jarbas da Silva, 150 - Bairro Monjolo
Telefone: (12) 571-1530
Home page: http://www.ateliesj.com.br
E-mail: ateliesj@iconet.com.br
Funcionamento: Aberto diariamente de 10h às 18h

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