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Tomáz Antônio Gonzaga


Gonzaga é considerado a expressão máxima do arcadismo brasileiro. Em Marília de Dirceu deixa entrever sua personalidade lírica ao cantar a amada, Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, sob o nome pastoral de Marília. Apesar da formalidade do modelo retórico árcade, sua poesia estabelece estreita relação entre a vida e a obra do autor.

Nas Cartas Chilenas - conjunto de poemas que circulam anonimamente em Vila Rica, entre 1787 e 1788 -, seus versos assumem um tom satírico. Aponta as irregularidades do governo de Luís da Cunha Menezes, configurando o ambiente de Vila Rica ao tempo da preparação política da Inconfidência Mineira.

Nasceu no Porto, em 1744, mas viveu parte de sua infância na Bahia. Formou-se em leis na Universidade de Coimbra, em Portugal. De volta ao Brasil, foi juiz de fora em Beja e depois ouvidor de Vila Rica, para onde se transferiu em 1782. Apaixonou-se por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, musa inspiradora de quase toda sua obra lírica. Aguardava apenas licença para se casar, quando foi denunciado e preso por participar da Inconfidência Mineira. Degredado em Moçambique, conseguiu refazer sua vida.

Trabalhou como procurador da Coroa e da Fazenda e juiz da Alfândega, casando-se com Juliana de Sousa Mascarenhas. Faleceu em 1810.

Alguns poemas de Tomaz Antônio Gonzaga:

MARÍLIA DE DIRCEU
Lira I, parte 1 ( fragmento )


Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que visto.

Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!

Eu vi o meu semblante numa fonte,
Dos anos inda não está cortado;
Os Pastores, que habitam este monte,
Respeitam o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o próprio Alceste:
Ao som dela concerto a voz celeste
Nem canto letra que não seja minha.

Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela! ...

  MARÍLIA DE DIRCEU
Lira XII, parte 2 ( fragmento )


... Quando levares, Marília,
Teu ledo rebanho ao prado,
Tu dirás: Aqui trazia
Dirceu também o seu gado.
Verás os sítios ditosos
Onde, Marília, te dava
Doces beijos amorosos
Nos dedos da branca mão.

Mandarás aos surdos Deuses
Novos suspiros em vão.

Quando à janela saíres,
Sem quereres, descuidada,
Tu verás, Marília, a minha
E minha pobre morada.
Tu dirás então contigo:
Ali Dirceu esperava
Para me levar consigo;
E ali sofreu a prisão.

Mandarás aos surdos Deuses
Novos suspiros em vão. ...


MARÍLIA DE DIRCEU
Lira XV, parte 2 ( fragmento )


Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,
Fui honrado Pastor da tua Aldeia;
Vestia finas lãs e tinha sempre
A minha choça do preciso cheia.
Tiraram-me o casal e o manso gado,
Nem tenho, a que me encoste, um só cajado.

Para ter que te dar, é que eu queria
De mor rebanho ainda ser o dono;
Prezava o teu semblante, os teus cabelos
Ainda muito mais que um grande Trono.
Agora que te oferte já não vejo,
Além de um puro amor, de um são desejo. ...
  CARTAS CHILENAS
Carta 3ª ( fragmento )


... Pertende, Doroteu, o nosso Chefe
Erguer uma Cadeia majestosa,
Que possa escurecer a velha fama
Da Torre de Babel, e mais dos grandes
Custosos edifícios, que fizeram,
Para sepulcros seus os Reis do Egito.
Talvez, prezado Amigo, que imagine,
Que neste monumento se conserve
Eterna a sua glória; bem que os povos
Ingratos não consagrem ricos bustos,
Nem montadas estátuas aos seu nome.

Desiste, louco Chefe, desta empresa;
Um soberbo edifício levantado
Sobre ossos de inocentes, construído
Com lágrimas dos pobres, nunca serve
De glórias ao seu autor, mas sim de opróbrio. Desenha o nosso Chefe sobre a banca
Desta forte Cadeia o grande risco
À proporção do gênio, e não das forças
Da terra decadente, aonde habita.
Ora pois, doce Amigo, vou pintar-te
Ao menos o formoso frontispício:
Verás, se pede máquina tamanha
Humilde povoado, aonde os Grandes
Moram em casas de madeira a pique. ...

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