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CLÁUDIO MANUEL DA COSTA
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É o mais barroco dos autores árcades mineiros. Contemporâneo da Arcádia Lusitana, fundada em 1756, o escritor procura equilibrar sua forte vocação barroca à tendência neoclassicista. Por outro lado, introduz elementos locais em sua poesia, buscando adaptar a descrição da paisagem natal ao modelo retórico árcade. Ao narrar a história da Capitania de Minas no poema Vila Rica, expressa forte sentimento nacionalista, valorizando esteticamente as riquezas naturais de sua terra.

Nasceu no Ribeirão do Carmo (atual Mariana) em 1729. Iniciou seus estudos em Vila Rica, indo posteriormente para o Colégio dos Jesuítas, no Rio de Janeiro. Em 1753, formou-se em direito canônico pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Seus primeiros trabalhos literários datam dessa época. Retornou a Vila Rica, onde se dedicou à advocacia e esteve ligado à administração da Capitania de Minas.

Era amigo dos poetas José Inácio de Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga. Faleceu em Vila Rica em 1789, preso por participar da Inconfidência Mineira.

Alguns poemas de Cláudio Manuel da Costa:

VILA RICA (fragmento)

Cantemos, Musa, a fundação primeira
Da Capital das Minas; onde inteira
Se guarda ainda, e vive inda a memória,
Que enche de aplauso de Albuquerque a história.

Tu, pátrio ribeirão, que em outra edade
Deste assunto a meu verso, na egualdade
De um épico transporte, hoje me inspira
Mais digno influxo; por que entoe a lira;

Porque leve o meu canto ao clima estranho
O claro herói, que sigo, e que acompanho:
Faze vizinho ao Tejo, enfim que eu veja
Cheias de Ninfas de amorosa inveja. …

 

Soneto II

Leia a posteridade, ó pátrio Rio,
Em meus versos teu nome celebrado,
Por que vejas um hora despertado
O sono vil do esquecimento frio:

Não vês nas tuas margens o sombrio,
Fresco assento de um álamo copado;
Não vês Ninfa cantar, pastar o gado
Na tarde clara do clamoso estio.

Turvo banhando as pálidas areias
Nas porções do riquíssimo tesouro
O vasto campo da ambição recreias.

Que de seus raios o Planeta louro,
Enriquecendo o influxo em tuas veias,
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.

 

Soneto XCVIII

Destes penhascos fez a natureza
O berço, em que nasci: oh quem cuidara
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os Tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra o meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei; que Amor tirano,
Onde há mais resistência, mais se apura.

 

Soneto XXII

Neste álamo sombrio, aonde a escura
Noite produz a imagem do segredo;
Em que apenas distingue o próprio medo
Do feio assombro a hórrida figura;

Aqui, onde não geme nem murmura
Zéfiro brando em fúnebre arvoredo,
Sentado sobre o tosco de um penedo,
Chorava Fido a sua desventura.

Às lágrimas a penha enternecida
Um rio fecundou, donde manava
D’ânsia mortal a cópia derretida.

A natureza em ambos se mudava;
Abalava-se a penha comovida;
Fido, estátua da dor, se congelava.

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