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COLUNA PRESTES NA BAHIA
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Dois anos e três meses de marcha por 12 estados brasileiros, num total de 23 mil quilômetros percorridos. A coluna Prestes, movimento originado da revolta de jovens oficiais contra os últimos presidentes da República Velha, marcada essencialmente pelo favorecimento das oligaquías regionais, chegou à Bahia em 1926, após passsar pelas regiões sul e centro-oeste do país. Os comandados de Luís Carlos Prestes entraram na Bahia através da fronteira com Pernambuco, próximo à cachoeira de Paulo Afonso, atravessaram o Rio São Francisco e seguiram em direção ao sertão.

Não se sabe ao certo quantos homens acompanhavam a marcha nessa fase, considerada a mais violenta da Coluna. Na Bahia tornaram-se comuns as potreadas (alguns membros da coluna se afastavam para saquear e arrebanhar animais), e rapidamente os boatos e medo se espalharam por toda região. Relatos de pessoas que viveram e/ou estudaram a passagem da Coluna pela Chapada a descrevem como um verdadeiro “arrastão” que destruía e roubava tudo em seu caminho. Já Anita Prestes, em sua obra “A Coluna Prestes”, rebate estas acusações dizendo que eram as tropas oficiais que causavam terror às populações e espalhavam as mentiras sobre a Coluna.

Com o clima de terror disseminado por cada vila e fazenda da Chapada, os coronéis da região começaram a mobilizar suas forças para resistir. Houve também um pedido de ajuda pelo governo federal, alarmado pela possibilidade da Coluna chegar até Salvador. Assim, as tropas do exército oficial, que já fracassara em tentativas de acabar com o movimento, passaram a contar com a ajuda dos Batalhões Patrióticos, composto por militares e civis (especialmente jagunços) da região. O coronel Horácio de Matos foi o responsável pela organização do Batalhão Patriótico Lavras Diamantinas, que contava com cerca de 600 homens.

A Coluna Prestes ficou cerca de dois meses na Bahia, e, em cada região que passou, encontrou grupos locais armados para o combate. Cercada, chegou a sair do estado pela fronteira com Minas e, para evitar o confronto com as reforçadas tropas federalistas, voltou à Bahia para enfrentar a mais dura perseguição. Destacam-se a batalha travada em Mucugê e na Fazenda Maxixe, próxima ao municipio de Central.

Escapando de um confronto direto com as tropas de Horácio de Matos, a Coluna foge em direção ao rio São Francisco. Os Batalhões Patrióticos e o exército organizam-se e, com milhares de homens, partem em perseguição. Agora era a vez dos jagunços e sertanejos abrirem caminhos para além da sua conhecida Chapada, sobrevivendo por meio de saques e roubo de gado. A Coluna segue rumo ao Paraguai através do Mato Grosso, numa perseguição cada vez mais tensa e conflituosa. O Araguaia e a Bolívia são cenários das últimas batalhas entre a já dispersa coluna e os lavristas que, vencedores, atravessam de volta o Brasil para serem recebidos como heróis.

Carlos F. d’Andréa

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