Cunha
foi palco de duas histórias interessantes: a de sua
própria origem e evolução, a partir de
entreposto comercial até cidade e também a de
seu papel durante a Revolução Constitucionalista
de 1932.
Pelo
Caminho Velho da Freguesia do Facão se esvaía
o ouro brasileiro, das Minas Gerais recém descobertas
até o porto de Paraty, em direção à
Europa. O caminho desde Minas era grande, e a trilha do ouro
tinha seu último trecho entre a Freguesia do Facão
e Paraty. A Freguesia, que depois viria a ser elevada à
categoria de Vila e, mais tarde, de cidade, surgiu como ponto
de apoio aos tropeiros que traziam minerais e ouro em lombos
de cavalos e burros, junto com índios e escravos, em
uma difícil e cansativa viagem. Estamos nos idos de
1727. O nome original, Freguesia do Facão, teria surgido
de uma adaptação de Falcon, uma família
portuguesa a quem se atribui os primeiros esforços
para se construir um povoado ao redor de uma igreja, nas áreas
da atual Cunha. O português Falcon, sua esposa e o irmão
dela, Frei Manuel, teriam sido os responsáveis pelas
primeiras construções na área.
Com
a notícia do descobrimento de ouro no "sertão"
(era como os portugueses e primeiros brasileiros da época
chamavam tudo que não fosse litoral no Brasil. O "sertão"
durante os dois primeiros séculos de nossa história,
tão pouco explorado, viria a ser povoado pelos mineradores,
garimpeiros e pela burocracia portuguesa que viria logo atrás
sedenta de fiscalizar e participar dos lucros obtidos pela
atividade) Cunha passa a ser um entreposto de troca e de descanso
no começo da Trilha dos Guaianazes, que ia do litoral
para o interior do país. A Freguesia era conhecida
entre os tropeiros como Boca do Sertão.
O
declínio do ouro em meados de 1750 e a ascensão
do café no Vale do Paraíba resultam no auge da
ocupação de Cunha. É desta época
a promoção da Freguesia a Vila. Os caminhos do
ouro recebem calçamento para serem trafegados por cavalos
que transportavam o "ouro negro" da época:
o café. Em 1883 a Vila passa à condição
de Comarca e em 1888, com a libertação dos escravos,
o ciclo do café recebe seu golpe fatal.
Mais
tarde, em 1932, com a Revolução Constitucionalista,
Cunha abriga outro acontecimento mantido na memória
de seus habitantes, quando o estado de São Paulo batalhou
contra as tropas federais getulistas. Em 12 de julho deste
ano, um batalhão da Marinha, formado por cerca de 400
soldados e comandados pelo capitão-tenente Augusto
do Amaral Peixoto, sobe a Serra do Mar em direção
a Cunha com a intenção de chegar ao Vale do
Paraíba por Guaratinguetá. Em Cunha são
combatidos pelos paulistas, que perderam muitos homens nesta
batalha. Paulo Virgínio, um pracinha da revolução,
é figura histórica e ídolo dos Cunhenses,
sendo sempre lembrado na data do acontecimento. A rodovia
SP-171, que leva até Cunha recebe seu nome também.
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