Da
Serra do Espinhaço, que abraça Diamantina,
vêm as pedras que se espalham por toda a parte.
Elas estão nas ruas e no horizonte. São
elas que esquentam a cidade. Que esfriam a cidade. São
elas também que fazem a cidade andar devagar.
Carros e pessoas passam lenta e cuidadosamente sobre
as pedras que calçam ruas e becos. E se todos
vão devagar, o tempo ajuda andando na mesma velocidade.
E
sempre há tempo para uma prosa com os moradores
que, como reza a tradição do mineiro,
são super acolhedores.
Chegam,
perguntam, contam casos orgulhosos da cidade e de
seus personagens. A conversa segue entremeada com pausas feitas para
se saborear o momento. É fácil se sentir em casa.
Mas,
apesar destas histórias do passado, o que
muito me chamou a atenção no lugar
é que Diamantina não parece um cenário
cinematográfico ou um conjunto de museus
e pessoas que vivem sob o peso de ser patrimônio
mundial. O centro histórico é o centro
comercial da cidade e por isso vemos os moradores
constantemente trabalhando, comprando ou, simplesmente,
passeando por ali. A cidade não é
só passado. Ela está viva, acontecendo. |
Para
conhecer e aproveitar o que o lugar tem a oferecer é
preciso pernas resistentes para o sobe e desce das ruas e das pedras que
formam as muitas cachoeiras nos arredores da cidade. Se
o cansaço chegar, uma boa opção é
fazer uma pausa para uma cerveja gelada com um bom pastel
em Biribiri. Ou
uma parada em Curralinho para olhar o tempo passar.
Coisas para se ver e fazer é que não faltam.
Casas e igrejas cheias de histórias, cachoeiras,
grutas, museus com muitas lembranças, comida
mineira feita no fogão a lenha, a vista inacreditável
do horizonte. Diamantina é uma cidade farta e
acolhedora. Sirva-se a vontade.
Luciana
Gomide Vieira
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