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HÁBITOS E COSTUMES NOS ARRAIAIS MINERADORES DA COMARCA DO RIO DAS MORTES
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A independência econômica verificada a partir das atividades agrícolas e comerciais desenvolvidas na na antiga Comarca do Rio das Mortes, desde as primeiras descobertas auríferas, propiciou a formação de centros urbanos dinâmicos de mentalidade aberta e estruturada numa ampla mobilidade social. O povo que aí se formou caracterizou-se por um espírito dinâmico e essencialmente urbano, sem perder o gosto pela tradição.

Tropeiros e muladeiros - Henry Chamberlain, século XIX Neste processo civilizador, destacaram-se duas figuras típicas da região: o tropeiro e o agricultor. O tropeiro apresenta-se como uma imagem lendária e peculiar à região mineira. Vestia-se com chapéu e e botas e conduzia animais carregados de mercadorias para abastecer os diversos núcleos mineradores existentes na época do ouro. Acampava a céu aberto e comia carne-seca com feijão de corda (mais tarde, denominado feijão tropeiro), farinha de mandioca, angu de milho e torresmo — alimentos que se tornaram patrimônio afetivo da culinária mineira.

O agricultor era dado a costumes simples, atestados pela fé devocional cotidiana e pela escassez de móveis e ornamentos em suas habitações, onde bastavam o catre, a mesa, o fogão de lenha e os santos de devoção, carinhosamente guardados em oratórios ou pequenas capelas.

Já o homem urbano era funcionário público, comerciante ou religioso. Filiado às irmandades — associações religiosas que congregavam irmãos de uma mesma devoção segundo a cor da pele —, concentrava na igreja sua possibilidade de convívio social, já que a religião tinha importante papel como agregadora de diferentes camadas sociais. Existiam irmandades para brancos, negros e mulatos, que nunca se misturavam, e a competição entre elas foi a principal responsável pela construção das belas igrejas mineiras.

Afastadas das atividades econômicas, às mulheres era reservado o papel de dirigir a casa, cuidando da família, da educação infantil, da culinária e realizando atividades manuais como a tapeçaria e o bordado. Das atividades femininas, os trabalhos manuais permanecem, ainda hoje, em tradicionais panos de mesa e cozinha, tecidos em teares manuais ou bordados à mão, em objetos de cerâmica, na cestaria e na pintura de móveis, aliando o gosto tradicional à simplicidade e praticidade do cotidiano mineiro.

Para participar da vida social e religiosa da vila, era necessário filiar-se a uma irmandade religiosa, através das quais a população se reunia para satisfazer suas naturais inclinações lúdicas e gregárias. As festividades ligadas à religião traduziam um misto de sagrado e profano, unindo tradições diferenciadas numa mescla de hábitos europeus, indígenas e africanos. Esses festivais religiosos podem ser apreciados, por exemplo, na Semana Santa, quando ocorre um verdadeiro teatro sacro, remanescente dos tempos coloniais. Nessa época, as irmandades saem em procissão trazendo toda a carga emocional que a Paixão de Cristo suscita.

Cristina Ávila

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