Evolução da pintura religiosa
A
trajetória evolutiva da pintura religiosa
assinala os melhores trabalhos realizados
no período. A princípio, a pintura resumia-se
a painéis de madeira, emoldurados e afixados
isoladamente nos tetos das igrejas. São
os chamados caixotões pintados com cenas
referentes ao santo de devoção ou mesmo
a personalidades da irmandade ou ordem religiosa.
Os elementos decorativos trazem freqüentemente
motivos chineses (chinesices) ou formas
que reproduzem objetos da natureza, como
grutas, penhascos, árvores, folhas e caracóis
(grutescos).
Posteriormente
a pintura extrapola esses limites e passa
a ocupar todo o forro com grandes cenas
ilusionistas em perspectiva. A partir da
verdadeira cimalha do edifício, cria-se
um efeito ilusório com o prolongamento da
mesma através da pintura. Colunas e parapeitos
em que se debruçam personagens como os doutores
da Igreja circundam a cena central, rompendo
ilusoriamente o espaço arquitetônico do
templo. O espectador tem a impressão de
estar assistindo a uma cena celestial, como
se estivesse diante do próprio céu. O que
interessa ao artista é criar a ilusão de
ótica ou o efeito chamado 'trompe l'oeil',
desenvolvido pelo padre italiano Andre Pozzo,
que decorou o forro da Igreja de Santo Inácio,
em Roma. Manuel da Costa Ataíde foi o artista
brasileiro que mais se aproximou do ilusionismo
do Padre Pozzo, sobretudo com a pintura
do forro da Igreja de São Francisco de Assis.
Em
fins do século XVIII, artistas locais simplificam
a trama arquitetônica em favor de um parapeito
contínuo. A pintura principal traz uma cena
religiosa centrada em um medalhão rococó.
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