Corporações livres de músicos
A
música barroca sempre esteve afinada às
necessidades da Igreja. Atendia a extenso
calendário de festas religiosas, fazendo
com que desde cedo os músicos se organizassem
profissionalmente em corporações.
As
irmandades investiam na qualidade da composição
sacra, exigindo profissionais com conhecimento
de música e letra religiosa. No período
de efervescência artística em Minas, a demanda
de músicos cresceu de modo expressivo. Contratos
anuais eram feitos com prévia seleção de
regentes, cantores e instrumentistas. Por
volta de 1750, já havia em Vila Rica músicos
que compunham para festividades específicas.
O
Senado da Câmara de Vila Rica também abria
licitações públicas anuais para a contratação
de músicos para suas festas. Assim como
se arrematava a construção de pontes, chafarizes
e outras benfeitorias públicas, acontecia
o remate do serviço de música, em que maestros
se responsabilizavam pelo agenciamento dos
intérpretes.
Os
músicos passaram a representar uma classe
autônoma de profissionais. Os mais reconhecidos
conseguiam viver exclusivamente de seu ofício,
agrupando-se em corporações livres que trabalhavam
mediante concorrências e sob o patrocínio
das irmandades e do Senado.
|