Tradição Musical de Tiradentes
Música setecentista
A
música já fazia parte da vida
dos tiradentinos desde a segunda década
do século XVIII. Em 1722, registro
da Irmandade de Nosso Senhor dos Passos
prevê a contratação
de serviços musicais para as celebrações
religiosas. Neste documento, datado de 14
de janeiro, percebe-se pela indicação
"Assim mais a música na forma
acostumada..." que tais serviços
eram normalmente contratados. Em 1745, outro
registro menciona contratar músicos
a dois coros e, neste mesmo ano, a irmandade
contrata o músico Lourenço
Dias para trabalhar como organista da Matriz
de Santo Antônio, na qual o grande
compositor Manoel Dias de Oliveira vai atuar
a partir de 1760.
Em
1788 a Matriz manda buscar em Portugal outro
órgão, que é instalado
alguns anos depois numa bonita caixa entalhada
pelos artistas Salvador de Oliveira e Antônio
Rodrigues Penteado e pintada por Manoel
Victor de Jesus em estilo rococó.
De excelente fatura alemã, o órgão
é um dos raros instrumentos setecentistas
ainda em uso no Brasil.
A tradição musical setecentista
manteve-se preservada em Tiradentes graças
a Orquestra e Banda Ramalho, criada em meados
do século XIX.
Orquestra
e Banda Ramalho
Única
corporação musical de Tiradentes,
a Sociedade Orquestra e Banda Ramalho foi
fundada por Bernardo José Ramalho
e seu filho Luiz em meados do século
XIX.
Há
registro de participação desta
corporação musical na festa
do Jubileu da Santissíma Trindade
em 1860, sob a direção de
José Luiz Ramalho. Durante todo este
tempo, a corporação manteve-se
como principal centro criador e produtor
de música da cidade.
Os
sucessores de José Luiz Ramalho foram
Joaquim Ramalho, João Batista Ramalho
e, na atualidade, Joaquim Ramalho Filho,
respectivamente filho e netos do fundador
do grupo musical. Além deste núcleo
familiar, o compositor Antônio de
Pádua Falcão destacou-se na
Orquestra e Banda Ramalho no início
do século XX.
Recentemente,
a corporação iniciou vigoroso
processo de reativação da
banda de música ligada à orquestra,
investindo na formação de
jovens músicos e promovendo cursos
de aperfeiçoamento para seus integrantes.
O
arquivo musical da corporação,
ainda que pequeno, desperta interesse musicológico,
pois conta com obras de diversos compositores
mineiros dos séculos XVIII e XIX,
sobretudo aqueles que atuaram na antiga
vila e na região do Rio das Mortes.
O acervo possui inúmeras obras do
compositor francês Fernand Jouteux,
discípulo do célebre Massenet,
que veio para o Brasil em exílio
voluntário por desavenças
familiares.
|