João Fernandes de Oliveira
O contratador João Fernandes de Oliveira
nasceu em Mariana em 1720. Herdou o nome
de seu pai e vô, que se mudara para
o Brasil ainda novo. Estudou Direito na
Universidade de Coimbra e foi consagrado
Cavaleiro da Ordem de Cristo, por Dom João
VI. Em 1752 foi nomeado desembargador do
Paço.
Um
ano depois mudou-se para o arraial de Tijuco
para cumprir a função de contratador
que o pai conquistara em 1740 junto ao Rei.
A riqueza do pai, que se mudara para Portugal
por volta de 1750, o tornou financiador
da Coroa em episódios como a reconstrução
de Lisboa após o terrível
terremoto que destruiu a cidade, numa relação
que garantiu a renovação do
contrato de exploração dos
diamantes.
João Fernandes foi aos poucos se
infiltrando na sociedade diamantinense.
Tornou-se padrinho de mulatos, filhos bastardos,
escravos e brancos, alimentando uma relação
que lhe garnatia respeito e aceitação social junto às diversas classes
sociais.
Apaixonado pela ex-escrava Chica da Silva,
mudou-se em 1753 para a casa que hoje leva
o nome da amante. embora nunca tenham se
casado oficialmente, os dois tiveram 13
filhos, todos reconhecidos pelo contratador,
num ato incomum para época (os muitos
filhos das relações entre
patrões e escravas eram registrados
sem o nome do pai). Ávido por satisfazer
todos os desejos de Chica, manteve um sítio
à sua disposição no
bairro da Palha. Lá aconteceram grandes
festas animadas por orquestras e passeios
de barco pelo lago da propriedade.
Entre os grandes feitos de João Fernandes
em Diamantina, destaca-se a construção
da Igreja Nossa Senhora do Carmo. Projeto
inicial da Ordem Terceira do Carmo, ela
acabou sendo bancada apenas pelo contratador,
que se desintendera com outros membros da
Irmandade ao escolher um local próximo
à Casa do Contrato, onde trabalhava.
Uma das curiosidades desta construção
é a torre, situada atrás da nave. Duas versões
tentam dar conta deste fato: esta alteração
permitiria que Chica da Silva frequentasse
as missas, já que imperava uma lei
que proibia os negros de irem "além
das torres", ou a mudança teria
sido um pedido da própria Chica,
que não queria que o barulho dos
sinos a incomodasse em sua casa.
Em
1770, quando o contrato devia ser renovado,
Pombal cassou seu direto de exploração
de diamantes. Pressionado pelo Conde de
Valadares, então governador de Minas,
o último contratador do Tijuco foi
obrigado a partir para Portugal. Este ano
marcou ainda a morte de seu pai, que administrava
parte da renda obtida em Diamantina. Em
Lisboa teve que enfrentar sua madrasta,
Isabel Pires Monteiro, que conseguira mudar
em seu benefício o testamento do
ex-marido. João acabou colocando-a
em um convento, com modesta pensão e tornou-se
senhor da casa da Lapa, onde o pai morara.
Os quatro filhos de João e Chica
foram levados pelo pai para estudar em Portugal,
enquanto as filhas ficaram sob cuidado da
amante em Diamantina. Uma de suas últimas
realizações foi a instituição
de um morgado, uma espécie de fundação para
cuidar de seus grandes cabedais. Morreu
em 1799, sem nunca voltar para reencontrar
Chica da Silva.
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