Joaquim José da Silva Xavier - Tiradentes
A Fazenda do Pombal
é hoje uma atração
turística da região. |
Joaquim
José da Silva Xavier nasceu
na Fazenda do Pombal, entre São
José del-Rei (atual Tiradentes)
e São João del-Rei,
em 1746. Filho do português
Domingos da Silva dos Santos e de
Antônia da Encarnação
Xavier Brasileira, perdeu a mãe
aos nove e o pai aos onze anos. Seu
padrinho, que era cirurgião,
o acolheu ensinando-lhe noções
práticas de medicina e odontologia,
de onde lhe adveio o apelido de Tiradentes.
Morreu solteiro, mas consta que manteve
relações com uma viúva,
moradora nos arredores de Vila Rica,
com a qual teve uma filha natural
de nome Joaquina. |
Mesmo sem ter feito estudos regulares, adquiriu
razoável soma de conhecimentos. Com
pouco mais de 30 anos, sentou praça
no Regimento dos Dragões de Minas Gerais,
sendo nomeado pela rainha D. Maria I, em 1781,
comandante de patrulha do Caminho Novo, estrada
na qual eram transportados para o Rio de Janeiro
o ouro e os diamantes extraídos na
Capitania de Minas Gerais.

Estátua
de Tiradentes, do italiano Virgílio
Cestari, foi erigida segundo decreto
de 1891 da Constituinte Mineira e inaugurada
em 21 de abril de 1894. As peças em
granito vieram do Rio de Janeiro e os
ornamentos em bronze, da Argentina. |
Sonhador
e idealista, Tiradentes envolveu-se
profundamente na Inconfidência
Mineira. Em 1787, pediu licença
de seu regimento e viajou para o Rio
de Janeiro, onde conheceu José
Álvares Maciel, recém-chegado
da Europa com novas idéias
políticas e filosóficas.
De volta a Vila Rica, em 1788, passou
a divulgar publicamente os ideais
do movimento, intensificando sua articulação.
Denunciada
a conspiração por Joaquim
Silvério dos Reis, em 1789,
Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro,
permanecendo incomunicável
numa masmorra escura por quase três
anos. Durante o processo de investigação,
denominado Devassa, foi ouvido quatro
vezes e confrontado com seus denunciadores
e co-réus. A princípio
negou tudo, mas diante de outros depoimentos
assumiu a responsabilidade do levante,
inocentando os demais conspiradores. |
Sua
sentença de morte foi lida a 18 de
abril de 1789 e, três dias depois,
foi executado em forca erguida no campo
da Lampadosa (hoje Praça Tiradentes),
no Rio de Janeiro. Além de enforcado,
Tiradentes foi decapitado e esquartejado,
sua cabeça exposta em Vila Rica e
os quatro quartos do corpo dependurados
em postes ao longo do Caminho Novo, que
ele tantas vezes percorreu. Seus bens foram
confiscados e sua memória declarada
infame.
Mesmo
após a independência do Brasil,
em 1822, Tiradentes não seria reconhecido
como mártir da Inconfidência
Mineira. Somente em 1867 é que se
ergueu em Ouro Preto um monumento em sua
memória, por iniciativa do presidente
da província Joaquim Saldanha Marinho.
Mais tarde, no período republicano,
o dia 21 de abril se tornou feriado nacional,
e, pela lei 4.867, de 9 de dezembro de 1965,
Tiradentes foi proclamado patrono cívico
da nação brasileira.
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