Igreja São Francisco de Assis
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Símbolo
maior do Barroco Mineiro e destaque
da obra de Aleijadinho e mestre Ataíde,
a igreja São Francisco de
Assis, em Ouro Preto, revela novas
cores
e formas a seus visitantes. |
Foi
concluída no fim de setembro uma
restauração de diversos setores
da construção. O altar-mor,
ameaçado por infiltrações,
teve suas pinturas e ornamentos refixados.
"As peças estavam se desprendendo",
explica Silvio Luiz Rocha Vianna de Oliveira,
coordenador do projeto.
A
outra etapa da restauração
concentrou-se nos seis altares laterais
da igreja, que tiveram a sujeira retirada
da madeira por solventes especiais e recuperaram
suas cores originais. Parte do assoalho
apodrecido foi trocado por peças
feitas a partir das técnicas originais,
enquanto o restante do piso continua aguardando
uma reforma. Além disso, foram colocadas
novas fechaduras, trincos, filtros solares
nas janelas, alarme contra incêndio
e sistema de som.
| Segundo
Oliveira, estas obras de arte vinham
sofrendo desgastes desde o século
XIX e o adiamento da reforma poderia
resultar na perda de referências
do trabalho original. "Outras
restaurações foram
feitas em 1883 e 1925,
mas nem sempre estas intervenções
foram criteriosas", explica. |
Altar-mor
da Igreja São
Francisco de Assis |
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Os
trabalhos, organizados pela Faop (Fundação
de Arte de Ouro Preto), demoraram um ano
e meio e custaram R$ 50 mil, verba cedida
pela Alcan. As atenções agora
devem se voltar para a parte externa da
igreja, já que há um desgaste
das pedras que compõem o pátio
e a fachada merece uma nova pintura.
Sua história
Exemplo
da riqueza econômica e cultural vivenciada
por Ouro Preto no século XVIII, a
Igreja de São Francisco de Assis
começou a ser construída em
1766, quando a vila vivia o ápice
da exploração do ouro.
Financiada
pela Ordem Terceira de São Francisco
de Assis, organização que
reunia parte da população
branca da vila, a igreja pertence à
freguesia de Antônio Dias, uma das
duas 'áreas religiosas' que dividem
a cidade (a outra é a do Pilar).
Manuel
Francisco Lisboa, o Aleijadinho, foi contratado
para desenhar o risco (planta) geral da
construção e de sua portada,
tribuna do altar-mor e altares laterais.
Além disso, são dele as esculturas
da portada, dos púlpitos, do retábulo
e da capela-mor.
Capela-mor
e altares laterais, projetos de
Aleijadinho
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| O
painel do teto é uma das
obras-primas de mestre Ataíde |
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O
forro da igreja, uma impressionante pintura
de Manuel da Costa Ataíde, cria um
jogo com as colunas e parapeitos que o cercam,
criando uma ilusão de ótica
no espectador. Ele utilizou uma técnica
chamada de 'trompe l'oeil', criada pelo padre
italiano Andre Pozzo.
A
igreja é um marco da terceira fase
do Barroco Mineiro, caracterizado pela aproximação
com o rococó, estilo então
em voga na Europa. Ainda assim, sua arquitetura
não se limita à cópia
de estilos europeus, mas se destaca pela
singularidade artística. |