A
Inconfidência Mineira - um Projeto
de Nação
Em
meados do século XVIII, já
se dava sinal da decadência aurífera.
O esgotamento de muitos veios levaria ao
enfraquecimento do pacto colonial.
Autos da Devassa
da Inconfidência Mineira, onde se
vê a sentença contra Tiradentes, 21
abril de 1792 - Museu da Inconfidência. |
Em
1750, foi estabelecido que a Capitania
Mineira pagaria a quantia fixa de cem
arrobas (cerca de 1500 quilos) de ouro
por ano. Os impostos foram uma das maneiras
da metrópole transferir para
si as riquezas da colônia. O mais
comum era o dizimo, quase sempre cobrado
por um contratador, que se obrigava
a pagar ao Real Erário uma determinada
soma em troca do que arrecadaria por
sua própria conta. Com o declínio
da produção, o valor não
vinha sendo alcançado já
há algum tempo. Assim o governo
resolveu recorrer às derramas
(uma espécie de imposto extraordinário). |
Além disso, o ideal liberal-burguês
corria o mundo. As colônias inglesas
da América do Norte haviam se auto
proclamado independentes desde 1776.
A
literatura ideária de Rosseau, Voltaire
e Montesquieu correu a colônia e fez
refletir membros da classe dominante e pequena
burguesia mineira, que se sentia prejudicada
pelo monopólio real e, em especial,
pela exaustiva cobrança de impostos.
O
projeto dos conspiradores defendia a livre
produção, com divergências
políticas sobre o sistema de governo
- Federativo ou Monárquico constitucionalista.
Algumas propostas tinham sido levantadas
como: a capital seria transferida para São
João del Rei, ficando em Vila Rica
a Universidade que seria fundada - a primeira
do Brasil. Definiu-se a adoção
da bandeira com o lema Libertas quae será
tamem e o início do levante foi marcado
para o dia da cobrança da derrama.
Na
condição de grandes proprietários
e intelectuais de elite, membros influentes
na sociedade passaram a propagandear a conspiração,
que chegou a repercutir no Rio de Janeiro.
| Entre
os mais importantes inconfidentes estavam:
o tenente coronel Francisco de Paula
Freire de Andrade, José Álvaro
Maciel, Padre Carlos Toledo e Melo,
Padre José da Silva Rolim, Inácio
de Alvarenga Peixoto (um dos principais
intelectuais do grupo, poeta e músico),
Cláudio Manuel da Costa (advogado,
escritor e poeta), Tomás Antônio
Gonzaga (poeta e escritor), Domingos
Vidal Barbosa, José Resende da
Costa, José Aires. João
Dias da Mota, Luís Vaz de Toledo
Piza, Domingos de Abreu Vieira, Francisco
Antônio de Oliveira Lopes e Joaquim
José da Silva Xavier, o Tiradentes. |

Detalhe do painel
de Portinari feito
para o Colégio de Cataguases -
Atualmente se encontra no Memorial
da América Latina, em São Paulo. |
No
entanto, antes do dia marcado, um dos conspiradores,
Joaquim Silvério dos Reis traiu o
grupo, levando ao conhecimento do governador
Luís da Cunha Menezes o levante.
A
reação do governo foi imediata,
a devassa foi completa. Cláudio Manuel
da Costa foi tido como suicida, ainda que
pairem dúvidas se ele não
teria morrido assassinado, nos porões
da Casa dos Contos, em Ouro Preto. Todos
perderam bens, cargos e foram condenados
ao degredo ou à prisão.
Joaquim
José da Silva Xavier foi o único
que teve um destino diferente, em 21 de
abril de 1792, foi enforcado e esquartejado.
Mas a idéia de um país livre
e independente de Portugal estava lançada.
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