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INTERCÂMBIO MUSICAL
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A princípio, a música colonial mineira restringe-se à interpretação de autores europeus, cujas partituras eram copiadas sucessivamente para uso individual ou de membros das corporações. Há ainda hoje cópia de quartetos de Haydn feita por Francisco da Cruz Maciel, em 1794, e de Mozart e Beethoven feita por João Nunes, antes de 1800, em Vila Rica.

O interesse pelas novidades musicais estrangeiras disseminou o uso de cópias feitas a partir do final do século XVIII. O mau estado de conservação das cópias encontradas sugere que elas tenham sido muito utilizadas por músicos da época.

Do Rio de Janeiro chegavam aquisições estrangeiras recentes e também composições de músicos brasileiros. Em Minas Gerais criou-se um intercâmbio musical, em que partituras eram copiadas e divulgadas entre os compositores, resultando um gosto musical comum.

Desse rico e permanente contato, aliado ao ensino de técnicas musicais, o músico mineiro passa a criar suas próprias composições. Seus expoentes máximos — José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, Manoel Dias de Oliveira e Francisco Gomes da Rocha — acumulam as funções de intérprete, compositor e regente, produzindo obras genuinamente brasileiras.

A produção musical desses artistas foi descoberta pelo musicólogo alemão Francisco Curt Lange, que dedicou grande parte de sua vida ao estudo das fontes musicais latino-americanas. Nos anos 40 realizou pesquisas em igrejas, arquivos públicos e acervos particulares das cidades históricas mineiras, revelando a existência de uma genuína atividade musical em Minas, até então desconhecida.

Durante 20 anos, coletou cerca de 800 partituras e restaurou 30, das quais somente algumas foram publicadas, e divulgou a música mineira no resto do país, América Latina, Europa e Estados Unidos. Seu acervo, recentemente adquirido pela Universidade Federal de Minas Gerais, inclui documentos da música barroca mineira, manuscritos do período colonial, gravações em fitas cassetes e outros documentos de grande valor histórico.

Carlos Kater

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