A história do arraial fundado em 1845 por
garimpeiros já em busca dos diamantes recém-descobertos da
região é um reflexo das variações econômicas e políticas que
essa atividade econômica impôs à Chapada Diamantina. Em pouco
tempo as terras foram ocupadas por exploradores e comerciantes
de diversos lugares do país, que em comum tinham a ambição
do rápido enriquecimento.
Em 1856 a aglomeração ganhou o nome de Comercial
Vila de Lençóis, em referência aos grandes comerciantes de
pedras e mercadores, inclusive estrangeiros, que proliferavam
na região. Como a circulação de dinheiro era muito grande
em toda Chapada, enriqueceu também quem, atento às necessidades
dos garimpeiros, soube vender a preços altos as mercadorias
básicas, como alimentos (uma grande seca que começou em 1859
e durou três anos matou muitas pessoas de fome e evidencou
a falta de infra-estrutura dos aglomerados).
Até cerca de 1871 a exploração das lavras
diamantinas contribuiu para a construção de Lençóis. São desta
fase as construções mais elaboradas da cidade, como a Capela
de Nosso Senhor dos Passos, e nos saraus era comum usar
diamantes para enfeitar as roupas dos participantes. Um consulado
francês chegou a funcionar ali com a intenção de estreitar
os laços comerciais entre a França e a região.
O esgotamento parcial dos solos da região
e a concorrência de pedras encontradas no sul da África levou
Lençóis a uma era de extrema pobreza e escassez de recursos.
O comércio e o garimpo foram abandonados por seus exploradores.
A plantação de café, e mais tarde, a extração
do carbonato (de mesma composição do diamante, porém menos
concentrado) ajudam a retormar em parte a economia da cidade.
A decadência da região evidenciou ainda mais
os conflitos políticos encabeçados por coronéis e levados
ao extremo pelos jagunços. Mais uma vez a lei do mais forte
ditava os limites em toda a região, em conflitos que durante
décadas resultaram em assassinatos, sequestros e até uma cinematográfica
luta contra os membros da Coluna Prestes, em 1926.
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