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DIÁRIO DE BORDO



Milho Verde é um lugar para quem busca sossego. A vila é pequena e o tempo passa devagar. Todos os dias acabam sendo iguais e é fácil esquecer a data e a hora.

E o prazer é mesmo este, viver a rotina diária: acordar, passear pelos arredores e tomar um banho duplo. Sol, água. Respirar o ar e sorver montanhas.

Depois voltar para comer - meu único compromisso é não deixar passar a hora do almoço. E que almoço! A legítima comida mineira com todos os ingredientes bem ao lado do fogão.

Repousar, ler... conversar.

A tarde, o largo da Igreja do Rosário é parada obrigatória para contemplação da paisagem. A cidade fica no alto e tudo que vemos são montanhas. Bem diante de nós o Pico do Itambé, uma das montanhas mais altas do Espinhaço. Estou nas nascentes do Jequitinhonha e toda essa água que cai vai formar um dos rios mais importantes do país.


Mais uma volta. E no caminho até a Igreja dos Prazeres eu vi o maior quintal que já conheci.

Uma cerveja gelada, um refrigerante, uma boa partida de sinuca ou de truco também valem para ajudar a empurrar o tempo.

Querendo variar vale um gole de água na fonte que servia os primeiros habitantes, nos idos 1700 e tantos.




Uma cerveja gelada, um refrigerante, uma boa partida de sinuca ou de truco também valem para ajudar a empurrar o tempo.
Querendo variar vale um gole de água na fonte que servia os primeiros habitantes, nos idos 1700 e tantos.

O povo do lugar é calmo como a vila.


A diferença entre os daqui e os de fora é que todos do lugar cumprimentam qualquer um na rua, e não é formalidade. É com sentimento. E sem exceção.

Quando retorno de uma volta estou exausto de tantos bons dias que me foram desejados.


Milho verde tem umas 500 almas e provavelmente 20.000 galinhas. Por toda parte elas estão ciscando, antes de cair na sua panela. Basta andar pelas ruas e topar também com as vacas, os cavalos, as crianças, todos soltos nas ruas.


A noite, o programa é se alimentar e prosear nas vendas do lugarejo. A casa da Dona Santinha, a 'médica' do lugar, merece uma visita, que acaba rendendo um licor de jabuticaba.

Você chega no restaurante e pergunta, tem comida? Lasanha? - Vai demorar uns 50 minutos. E vale também para o pastel de queijo, sanduíche, caldo.


Pode demorar, demorar muito por que pressa é algo que não existe aqui.

Enquanto isso puxa assunto, ouve música, sente o tempo passar e o sono vindo.


fim da transmissão.



Álvaro Andrade Garcia


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