Milho verde é mencionada como vila
pertencente ao arraial de Santo Antônio do Bom Retiro
do Serro Frio, atual cidade do Serro, desde 1711 mas, somente
em 9 de julho de 1868, foi oficialmente elevada a distrito desta
cidade. Seu nome teria surgido pelo fato das lavras ali pertencerem
a Manoel Rodrigues Milho Verde, natural de Moinho, Portugal.
A
vila está localizada nas vertentes da Serra do Espinhaço,
na rota entre Serro e Diamantina e foi ocupada inicialmente
por garimpeiros atrás de ouro e, posteriormente, de
diamantes. Logo, a riqueza das minas da região atraiu
a atenção das autoridades.
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Em
uma carta de 2 de fevereiro de 1732, o ouvidor geral do
Serro Frio, Antônio Ferreira do Valle e Mello pede
ao governador de Minas, dom Lourenço de Almeida,
que reconsidere a decisão de proibir a extração
de diamantes pelos moradores da região de Milho
Verde. O governador, atendendo aos interesses da Coroa
portuguesa, ignorou o apelo. |
A população de Milho Verde foi obrigada a obedecer
as leis impostas pelos governantes ao Distrito Diamantino.
A Coroa portuguesa se apodera e passa a organizar a exploração
do diamante sem, contudo, coibir o intenso contrabando. A
rua do quartel, próxima ao bar do Geraldo, assim se
chama por que ali foi instalado um quartel e posto fiscal
para abrigar o destacamento que vigiava as entradas e saídas
de pessoas e mercadorias da região.
| As restrições impostas sobre o Distrito
contribuiram para a estagnação do povoado.
O lugar ficou esquecido no tempo. No início do
século XIX, as visitas do mineralogista José
Vieira Couto, do inglês John Mawe e do francês
Saint-Hilaire renderam relatos sobre a situação
de abandono de Milho Verde. José Vieira descreve
a vila como um "lugarejo pequeno, mal arranjado e
com muitas casas palhoças". |
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As minas ainda voltaram a ser exploradas. No século
XX, com o auxílio de dragas e bombas, garimpeiros
causaram vários danos ecológicos desviando
cursos de rios e revirando cascalhos. Atualmente, a mineração
no lugar está proibida.
As famílias que ali permaneceram, passaram a se
dedicar à pecuária e agricultura de subsistência
e, mais tarde, também à colheita de flores
sempre-vivas. O local servia também de parada para
os tropeiros.
Durante a década de 80, a paz e tranquilidade do
lugar aliadas à sua rica natureza, atraiu hippies
e moradores de cidades grandes e dos arredores, interessados
numa vida mais simples. Depois, a vila começou
a atrair também turistas desses mesmos lugares
e criou uma infra estrutura mínima para recebê-
los. |
| Hoje,
os nativos vivem praticamente do turismo, a atividade
mais rentável da vila, que começa a trazer
problemas como o excesso de lixo, especulação
imobiliária e descaracterização dos
hábitos da população. |
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Vivendo
esse dilema, a vila busca se organizar para desenvolver
um turismo com características de preservação
natural e cultural, sua melhor oportunidade de prosperidade
econômica, já que a maioria da população
de pouco mais de mil pessoas (60% segundo dados do censo
de 1991) vive com menos que 1 salário mínimo. |
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