"O
último reduto dos caipiras" é o apelido
desta cidadezinha encravada nos montes do Vale do Paraíba.
E é apelido bem dado: a cidade é caipira no
melhor sentido da palavra. E com orgulho!
Quem
visita Paraitinga pode gastar a maior parte do tempo conversando
com seus habitantes, que gostam muito de fazer isso. São
doces e muito simpáticos, embora à primeira
vista possam parecer reservados.
Dar
uma volta pela cidade de manhã bem cedo, quando a névoa
ainda está baixa é uma experiência única.
Pude ver as janelas das casas se abrindo, pessoas saindo para
o trabalho, donas de casa varrendo a calçada. Estamos
em maio e a temperatura é de 11º C.
Andei
até o mercado municipal, onde os comerciantes começam
a montar suas lojas. O mercado tem um pátio interno,
onde o sol começa timidamente a refletir. Cães
dormem...
No
alto da ladeira, a Igreja do Rosário. Vê-se toda
a cidade, embaixo, até a encosta do outro lado. Descendo
a ladeira, o caminho me leva até a praça central
e à Igreja Matriz. Uns poucos fiéis e vendedores
com carrocinhas. Dois cavaleiros desmontam e prendem seus
cavalos para ir pedir a bênção ao padre.
Mais alguns vira-latas e nenhum turista. Só eu e minha
máquina.
É
fácil andar em Paraitinga. A cidade é pequena
e as construções históricas preservadas
ficam perto umas das outras. Mas não gaste seu olhar
só com elas. As pessoas da cidade são igualmente
interessantes.
Ontem
foi domingo do Divino, dia em que se encerra as comemorações
do feriado do Divino Espírito Santo. Ando pelas ruas
e me lembro da procissão, as anjinhas, o padre, as
senhoras de negro... Não se preocupe se você
não é religioso ou católico. A procissão
do Divino de Paraitinga é linda e comovente. Ela toca
fundo, em outras partes da nossa pessoa.
Termino
meu passeio matinal com um café com leite em uma padaria
perto do centro. Cheiro de pão fresco e café.
O friozinho persiste.
Bruno
Dorfman Buys |