A
beleza de Paraty vem há muito tempo inspirando o trabalho
de artesãos e artistas.
As janelas do centro histórico servem de vitrines para
ateliers e lojas de artesanato, relembrando os tempos em que
as casas dividiam seu espaço, abrigando armazéns
e residências ao mesmo tempo.
O
isolamento que a cidade viveu por um longo período
- e ainda vivem várias comunidades próximas
- contribuiu para preservar uma série de técnicas
artesanais para a manufatura de objetos usados no trabalho,
no ambiente doméstico e no lazer. A madeira, fibras
vegetais, sobras de tecido - tudo ganha vida nova nas mãos
dos artesãos de Paraty.
E o artesanato indígena faz reviver a cultura do povo
tupi-guarani, que tem duas aldeias na região, nas vilas
de Paraty-Mirim e de Patrimônio.
A
atmosfera da cidade, suas tradições e festas,
cultiva sensibilidades, motivando o surgimento de talentos
paratienses, além de atrair muitos outros artistas
que vieram pela primeira vez como turistas e não quiseram
mais ir embora.
Madeira
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Canoa
e remo, miniaturas, peças religiosas. A madeira
é trabalhada pelos artesãos de Paraty
para servir tanto à sua subsistência, como
também para brincar e rezar.
O
Saco do Mamanguá, que fica horas de barco do
cais de Paraty, é um reduto de artesãos
que ainda guardam os segredos de técnicas tradicionais.
Na Praia do Cruzeiro, fica o estaleiro do Sr. Leonel
de Oliveira, canoeiro respeitado na região, procurado
também para fazer reparos em embarcações.
Um pouco mais adiante, noutra praia, mora Benedito Matilde
dos Santos, o Dito. Com habilidade e capricho, Dito
constrói delicadas miniaturas de barcos. Enquanto
isso, na cidade, Cézar Costa entalha peças
que terão lugar nos altares e festas religiosas
da cidade.
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Tecido
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Sobras
de pano têm destino certo em Paraty. Os retalhos, de tamanhos variados,
lisos ou
estampados, são costurados um a um sobre sacos de
linhagem ou de trigo, transformando-se em colchas, almofadas,
tapetes, cortinas, panos de mesa.
A
tradição, passada de geração
para geração, surgiu na zona rural. Devido
ao isolamento em que viviam, as pessoas reaproveitavam
tudo que podiam. Hoje, a habilidade de combinar pedacinhos
de pano colorido se disseminou. Outra tradição
antiga da cidade, agora recuperada, é a confecção
de bonecas de pano. |
Cestaria
Prática
das mais antigas, a confecção artesanal de objetos
utilitários a partir de fibras vegetais é observada
em todo lugar. Cipó timbupeva, cipó imbé,
taquara, palha de coco, bambu, flecha de ubá, flecha
de guapurubu. Cercada de matas, Paraty oferece material abundante
para a produção de cestos, gaiolas, peneiras,
balaios, abanos, esteiras, covos - tipo de armadilha para
a pesca - e o tipiti - usado na fabricação da
farinha de mandioca.
Entre
os artesãos que se dedicam à cestaria, está
a família de D. Madalena Alves da Conceição.
Branca, casada com um negro morador do Campinho - um antigo
quilombo, segundo contam -, D. Madalena começou a aprender
com um tio do marido e, depois, sozinha mesmo, desmanchando
as peças. Fez questão de ensinar suas técnicas
aos filhos.
Artesanato
Indígena
Apesar
de não serem originariamente da região, existem
duas reservas tupi-guarani em Paraty: a de Arapongas, que
fica em Patrimônio, e a Aldeia de Paraty-Mirim. Estudos
indicam que eles já ocupavam essas terras já
no período da colonização, atraídos
para a costa pela lenda de que haveria uma 'terra sem mal'
perto do mar. Mesmo mantendo contato freqüente com os
brancos, os índios resistem e ainda preservam muitas
de suas práticas culturais. Há dois anos, ganharam
reforços com a criação da Associação
Cultural e Artística Nhandeva por um grupo interessado
em resgatar a cultura guarani.
Pinga
Ela
chegou à região junto com os primeiros colonizadores,
há mais de 300 anos, e logo sua fama se espalhou por
todo país. Seu nome se confunde com o da cidade, já
que era hábito pedir uma dose de Paraty, sinônimo de pinga
de boa qualidade.
No
auge da produção de cana-de-açúcar
na região, a cidade chegou a ter cerca de 200 alambiques.
Para
quem acha que pinga e cachaça são a mesma coisa,
os fabricantes da região explicam a diferença
fundamental que existe entre as duas bebidas.
A
cachaça é produzida a partir da borra ou melaço da cana (sobras da fabricação do açúcar)
e a pinga é feita da garapa, caldo de cana fermentado
e destilado.
Alguns alambiques, situados há poucos quilômetros do
centro da cidade, ainda produzem a bebida artesanalmente e podem
ser visitados pelos turistas. No mês de agosto acontece
o Festival da Pinga, ótima portunidade para se conhecer
esta tradicional bebida. |
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