À primeira vista, o casario de São
João del-Rei pode parecer pequeno. Grande engano. Por
estarem mais espalhadas do que em outras cidades, tem-se a
impressão de que São João não
preservou tanto suas construções mas elas estão
ali e são muitas. A cidade guarda um grande acervo
representativo de três épocas distintas, com
construções barrocas, ecléticas e modernas.
O Córrego do Lenheiros atravessa a
cidade dividindo-a. Em sua margem esquerda concentram-se as
construções coloniais características
do século XVIII e, na direita, edificações
do século XIX, a chamada arquitetura eclética,
formada por grandes casarões e também construções
do século XX. Essa peculiaridade do casario de São
João del-Rei deve-se a um fato positivo de sua evolução.
A cidade, diferentemente do que aconteceu com a grande maioria
das cidades históricas que se formaram graças
à exploração de ouro, não passou
por um período de estagnação econômica
com o fim do ciclo do ouro.
Desde cedo, São João del-Rei
desenvolveu outras atividades econômicas que garantiram
seu crescimento contínuo, como a agropecuária
e o comércio. Por isso, a cidade não parou e
as construções continuaram. Visitada pelos modernistas
no início do século XIX, São João
encantou artistas e aparece em obras de Tarsila do Amaral
e Oswald de Andrade.
O lugar é muito animado na maior parte
do ano. Frequentada por muita gente jovem, graças aos
estudantes da Funrei, São João tem um dos mais
tradicionais e agitados carnavais de Minas. Sua tradição
musical, suas orquestras e bandas, imprimiram aos eventos
realizados ali uma musicalidade ímpar, uma linguagem
especial presente até no badalar de seus sinos. Os
diferentes toques dos sinos anunciam nascimentos, mortes,
batizados e outros acontecimentos para os moradores do lugar.
Mas, apesar do crescimento, São João preserva
a vida tranquila e os costumes do interior. Gente acolhedora,
comida boa, belezas naturais e sossego. Muito sossego.
Luciana Gomide Vieira
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