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primeira sensação em São Luís
é de espanto. O centro histórico fica numa
elevação cercada de água e largas
avenidas. O conjunto é uma cidade dentro da cidade.
Suas dimensões impressionam. Você pode passar
um dia inteiro andando e ainda assim não terá
visto todas as ruas. São mais de 3.000 edificações
de valor histórico que desde 1.970 vêm sendo
recuperadas num trabalho que parece nunca ter fim. |
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O
apogeu econômico da cidade, mais tardio em relação
à maioria das cidades históricas brasileiras,
criou um cenário visual ímpar. Os sobrados
lembram os palaus de Barcelona, com entradas para charretes,
salas e corredores imensos. |
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| Em
São Luís, as atrações não
são as igrejas, mas os imponentes sobrados da burguesia
local, muitos revestidos de azulejos, como os da Praia
Grande, um importante centro comercial. O teatro Arthur
Azevedo nos dá um pouco a dimensão dessa
época em que os barões do algodão
buscavam para si as condições de uma vida
européia nos trópicos. |
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Sempre
é bom lembrar que na época das navegações
a vela, em função de correntes marítmas
e ventos, a ligação do Maranhão
com a Europa era mais fácil do que com o restante
do país. Esse 'isolamento' repercutiu em quase
todos os aspectos da vida na região.
O
centro histórico é dividido em partes.
Uma delas vive hoje o agito de centro de uma grande
cidade, com um intenso comércio e movimento de
carros. Outra, mais calma, tem suas ruas ocupadas por
cortiços. Aqui e acolá surgem prédios
inteiramente reformados, muitos deles com destinação
cultural. É o caso do Convento das Mercês
e do Centro de Cultura Popular, onde você pode
conhecer um pouco da incomparável cultura maranhense.
O conjunto da Praia Grande, hoje destinado ao turismo,
é o ponto de partida para a visita a estes dois
lados. |
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| Por
falar na cultura maranhense, coloque de uma vez na sua
cabeça: você não está no nordeste.
O Maranhão é norte. A culinária,
os laços com o Pará, a vegetação,
o clima do lugar, o aspecto geral da população
faz com que o estado seja uma porta do norte em pleno
nordeste e essa é uma das suas maiores riquezas. |
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| E
riqueza cultural é o forte daqui. Nunca vi nada
parecido. A cultura portuguesa tão marcante, a
cultura africana tão marcante, a cultura índia
tão marcante. A cidade respira sincretismos ao
mesmo tempo em que guarda puras muitas das manifestações
dessas culturas tão diferentes. Você vê
danças portuguesas ao lado do Tambor
de Crioula. Conhece o reggae e depois admira azulejos. |
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O Bumba-meu-boi,
a grande festa popular da região, é a síntese
disso. Os sotaques, que são
as variações coreográficas e de instrumentos
dos grupos, nos contam a mesma
história, mas com tonalidades que vão registrando
as diferenças de culturas e origens. O
Boi de Orquestra é quase um samba, é branco,
é vaqueiro. O Boi de Zabumba é negro, a
batida não deixa dúvidas. O sotaque de Matraca
já mistura um pouco as influências. É
só ver os personagens, índias, vaqueiros,
escravos e senhores. O Brasil diante de você. |
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Álvaro
Andrade Garcia
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