|
A
Festa do Divino chegou ao Brasil no século XVI
e há indícios de que, no Maranhão,
ela tenha chegado com os açorianos entre 1615 e
1625. É
uma das manifestações folclóricas
mais ricas do estado. As mais famosas são as que
acontecem no eixo São Luís - Alcântara.
Apesar da origem comum e pequena distância entre
as duas cidades, há algumas diferenças entre
suas comemorações.
Em
São Luís, o culto é marcado pelo
sincretismo religioso. As tradição trazida
pelos portugueses recebeu contribuições
das culturas indígenas e, principalmente, africanas.
O
evento não acontece na data tradicional e não
há uma só festa na cidade. Cada comunidade
faz a sua celebração em terreiros de mina
diferentes. A Festa do Divino em São Luís
está associada não só ao Espírito
Santo mas também a outros santos católicos
e de casas de culto afro-maranhenses.
Uma
das mais famosas festas da cidade acontece na Casa de
Fanti-Ashanti, fundada em 1958 por Pai Euclides, um
dos pais-de-santo mais conhecidos e respeitados de São
Luís. É o único terreiro de candomblé
da região, o que influencia fortemente os demais
ritos e celebrações que acontecem na Casa.
Ali, A Festa do Divino acontece no primeiro domingo
de julho, quando as tocadoras de bombos ou caixeiras,
que participam de várias festas na região,
encontram-se disponíveis para o evento.
O webdoc
sobre a Festa do Divino registrou o evento em julho
de 2001 na Casa Fanti-Ashanti. Além da entrevista
com Pai Euclides e com o pároco da comunidade
do Cruzeiro do Anil, o vídeo mostra o caminho
percorrido pelos fiéis, da igreja para o terreiro.
Apesar das claras influências africanas, várias
características se mantém, como a representação
do imperador que preside os rituais durante todo o tempo,
a missa, a procissão e a partilha de alimentos. |