Atrás
do morro está Serro, encima de outro morro. A sensação
que tive, assim que cheguei na cidade, é que o lugar
é bem mais plano do que Diamantina, por exemplo. Grande
engano. A
cidade é só morraria. A Igreja de Santa Rita está
lá em cima. A de Matozinhos está lá em
baixo. E dá-lhe ladeiras prá lá e prá
cá.
Cidade
de gente simples, de casas simples, de muitas igrejas, de
céu sempre nublado de manhã. De gente acolhedora,
de casas aconchegantes, de igrejas coloridas e céu
aberto de tarde (o calor que faz de dia não anuncia
o frio que faz de noite, por isso não se deixe enganar...).
De café e de queijo - de fama reconhecida e justíssima
- de tutu, de angu de fubá de moinho de pedra. Cidade
de Minas, sô.
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E,
claro, cidade das águas. Separadas
pela Serra do Espinhaço, águas caem por
todos os lados e ao cairem formam poços, piscinas
e duchas em Serro, em Milho Verde e em São Gonçalo.
A cidade se divide em muitas e as caminhadas e passeios
se multiplicam, ocupam o dia.
A
gente habilidosa dali transforma saco de estopa e retalhos
de toda cor em tapetes, pedras em panelas de todo tamanho
e leite em queijo que não é mussarela
nem prato nem provolone. É queijo do Serro e
pronto, isso já diz tudo. Mais do procedência,
o Serro do queijo indica a qualidade. |
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E
os becos? Não acreditei que o carro fosse passar ali,
mas passa sim e a rua é mão dupla. Se der de encontrar
com algum em direção contrária no meio
do caminho, decide-se no olhar quem é que vai dar ré
e tudo bem. Sem buzina, sem stress. No
fim de tarde, os meninos gostam de brincar no pátio das
igrejas. Jogam bola, andam de bicicleta, dão piruetas
e param pra ver você.
Os mais velhos também param e assim, sem mais nem menos,
te convidam para um café. A casa é muito simples,
dizem sempre, mas será o maior prazer. E que café!
Claro que foi o maior prazer.
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